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Como a negociação que você evita está cobrando caro do seu negócio

Empresas saudáveis não são as que dizem sim para tudo. São as que dizem sim com contorno, critério e coragem de sustentar o que prometeram

Negociar é uma daquelas habilidades que muita gente associa a vendas, contratos e grandes decisões. No dia a dia, porém, a negociação mais importante costuma ser silenciosa: prazo, escopo, prioridade, recursos, expectativas. Quando você evita essas conversas para “não criar atrito”, o custo não some. Ele apenas muda de forma. Vira retrabalho, desgaste do time e margem espremida.

Organizações tendem a perder eficiência e qualidade quando evitam conversas de alinhamento e trade-offs, porque o trabalho se expande para ocupar o espaço que ninguém delimitou. O problema não é falta de esforço, mas falta de contorno. Sem contorno, o negócio cresce em complexidade e o time paga a conta.

O acordo implícito que você não percebe

Quando você não negocia, você aceita. Aceita prazos improváveis, escopos abertos e demandas que entram sem tirar nada da fila. E cada aceitação silenciosa vira uma promessa que o time terá de cumprir na prática. O problema é que o sistema não enxerga promessa silenciosa como custo. Ele enxerga como disponibilidade.

Com o tempo, a empresa vira refém do “dá para fazer”. Dá para fazer quase tudo uma vez. O difícil é sustentar o padrão sem virar rotina de urgência. É aí que o custo aparece: gente cansada, entrega inconsistente e decisões reativas.

O medo real não é negociar, é a reação

Muita gente evita negociação por receio de parecer difícil, perder relação ou ser visto como pouco colaborativo. Esse é um ponto de Gestão de Emoções. Se você negocia com medo, tende a suavizar demais, deixar portas abertas e aceitar mais do que pode sustentar. No curto prazo, você evita desconforto. No médio, você cria um problema maior.

Negociar bem não é “ganhar”. É proteger critério. É manter o combinado dentro do possível e do saudável para o time. E isso exige firmeza com respeito, não agressividade.

Trade-off é a palavra que salva equipes

O maior sinal de maturidade em Negócios é quando a empresa fala em trade-off com naturalidade. Se alguém pede algo urgente, o que sai? Se o cliente quer mais, o que muda em preço, prazo ou escopo? Se a prioridade mudou, o que deixa de ser prioridade?

Sem essa lógica, a negociação vira fantasia. Todo mundo concorda com tudo e depois se frustra com a realidade. Trade-off não é frieza. É honestidade operacional.

Como negociar sem criar conflito desnecessário

O primeiro passo é chegar com opções, não com bloqueio. “Posso entregar A até sexta ou A e B até terça, qual é mais importante?” Opções mostram colaboração e colocam a escolha no lugar certo: prioridade.

O segundo passo é explicitar critério. “Para manter qualidade, precisamos de X”, “para cumprir prazo, precisamos cortar Y”. Critério tira a conversa do pessoal e coloca no campo do trabalho.

O terceiro passo é fechar por escrito o essencial: o que ficou combinado, o que mudou e qual é o próximo passo. Sem registro, a negociação vira memória frágil e o ruído volta.

O que muda quando você negocia cedo

Negociação tardia é sempre mais emocional. Quando o prazo estourou ou o cliente já está irritado, a conversa vira defesa. Negociação cedo é estratégica. Ela protege margem, preserva energia e aumenta previsibilidade.

Pergunta útil para o seu dia: o que eu estou aceitando em silêncio que vai virar cobrança em voz alta depois? Se a resposta aparecer rápido, é sinal de que a negociação já está atrasada.

No fim, negociar não é criar problema. É evitar que o problema cresça escondido. Empresas saudáveis não são as que dizem sim para tudo. São as que dizem sim com contorno, critério e coragem de sustentar o que prometeram. Isso protege o negócio e, principalmente, protege quem faz o negócio acontecer.

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Atualizado em: 07/01/2026 02:37