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Transições entre PJ e CLT exigem cautela em 2026

Especialista alerta para riscos jurídicos e financeiros

O mercado de trabalho brasileiro entra em 2026 em um novo ciclo de reavaliação de vínculos e contratos. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que, na última década, o número de trabalhadores formalizados como Microempreendedor Individual (MEI) mais que dobrou, enquanto o emprego com carteira assinada manteve crescimento gradual. O resultado é um mercado mais diverso, porém mais complexo do ponto de vista jurídico.

Nesse contexto, cresce o número de profissionais que recebem propostas para mudar de regime de contratação, seja da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para Pessoa Jurídica (PJ), seja no caminho inverso. A decisão, no entanto, não deve ser guiada apenas pelo valor mensal da remuneração.

“A mudança de emprego ou de regime de contratação, quando feita sem análise jurídica, pode transformar uma oportunidade em um péssimo negócio”, afirma Caren Benevento, sócia da Benevento Advocacia e pesquisadora do Grupo de Estudos de Direito do Trabalho e da Seguridade Social da Universidade de São Paulo (Getrab-USP). “PJ e CLT têm lógicas diferentes. A escolha precisa considerar riscos, direitos e impactos de médio e longo prazo.”

CLT para PJ: atenção além do valor recebido

Para profissionais que buscam maior liberdade e autonomia laboral, que atuam com carteira assinada e recebem uma oferta para atuar como PJ, o alerta é claro. A comparação deve ir além do salário bruto. É essencial avaliar se o aumento da remuneração compensa a perda de direitos como férias, décimo terceiro salário, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), benefícios flexíveis e proteção previdenciária.

Outro ponto crítico é a autonomia. “Contratos PJ que mantêm subordinação direta, controle de jornada, exclusividade e pessoalidade podem caracterizar vínculo empregatício disfarçado, gerando riscos futuros para ambas as partes. É essencial a adoção de contrato escrito contendo cláusulas sobre prazo, rescisão, reajustes, escopo de trabalho bem detalhado e garantias de pagamento claramente definidas para evitar insegurança”, avalia a advogada Caren Benevento.

PJ para CLT: segurança não é automática

A migração de PJ para CLT costuma ser associada a maior estabilidade, mas também exige cautela. Em muitos casos, há redução de renda no curto prazo, o que precisa ser analisado à luz do pacote completo oferecido. Benefícios como plano de saúde, vale-refeição, bônus e participação nos resultados influenciam diretamente o valor final da proposta.

Além disso, a CLT pressupõe subordinação e regras mais rígidas de jornada, o que altera a rotina profissional. “Cláusulas de não concorrência, metas e aderência a políticas internas passam a integrar a relação de trabalho e devem ser avaliadas antes da decisão. Para quem já atuava como PJ para a mesma empresa, a transição exige ainda mais cuidado, inclusive para evitar riscos retroativos”, explica a pesquisadora do Getrab-USP.

O cenário de 2026 reforça a importância do direito consultivo como ferramenta de orientação e prevenção. “A análise prévia dos modelos de contratação e dos impactos previdenciários e tributários para a empresa e o trabalhador permite decisões mais conscientes e reduz riscos de litígios futuros. O mercado mudou e continuará mudando. O erro é tratar essas transições como escolhas simples ou apenas financeiras. Avaliar juridicamente antes de assinar é o que separa uma decisão estratégica de um possível problema”, conclui Caren Benevento.

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Atualizado em: 14/01/2026 10:50