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Rotatividade de estagiários preocupa 26% das empresas, mostra pesquisa

Dos 260 profissionais responsáveis pela contratação de estagiários entrevistados, 26% apontaram a dificuldade de reter estudantes como o maior obstáculo

Um em cada quatro profissionais de recursos humanos considera a rotatividade de estagiários o principal desafio enfrentado hoje pelas empresas na gestão desses programas, segundo levantamento do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola) obtido com exclusividade pela Folha.

Dos 260 profissionais responsáveis pela contratação de estagiários entrevistados, 26% apontaram a dificuldade de reter estudantes como o maior obstáculo, acima de fatores como valor da bolsa pouco atrativo (17%) e dificuldades em transmitir a cultura organizacional (12%).

A pesquisa foi realizada entre 1º de julho e 14 de outubro de 2025, por meio de questionário digital. A margem de erro é de 6,1 pontos percentuais.

Os dados indicam que a alta rotatividade está relacionada, em parte, à percepção de que as condições oferecidas pelas empresas não são suficientemente atrativas. Entre os entrevistados, 63% concordam total ou parcialmente que muitos estagiários desistem das vagas porque a oferta não atende às expectativas, especialmente em relação à remuneração, benefícios e possibilidades de desenvolvimento.

Apesar disso, as empresas ainda priorizam critérios comportamentais, ou soft skills, no momento da contratação. Quatro em cada dez respondentes apontaram o interesse em aprender como o principal fator na seleção de estagiários, acima de habilidades técnicas específicas. Também aparecem entre os critérios mais citados disciplina, pontualidade, habilidades socioemocionais e facilidade de adaptação ao ambiente corporativo.

A lógica se intensifica no momento da efetivação. Segundo o levantamento, postura profissional é o atributo mais valorizado para transformar o estágio em contrato formal, citado por 34% dos entrevistados como o principal fator de decisão. Comprometimento com resultados (16%) e proatividade (15%) aparecem logo na sequência. Para 84% dos profissionais ouvidos, a abertura ao aprendizado contínuo pesa mais na efetivação do que excelência técnica em ferramentas específicas.

Mesmo diante dos desafios, a taxa de aproveitamento dos estagiários é relativamente alta. Mais da metade das empresas afirma efetivar acima de 50% dos estudantes que passam por seus programas, sendo que 29% dos entrevistados relatam taxas superiores a 70%. Ainda assim, quase metade dos respondentes diz que a dificuldade em manter estagiários até o fim do ciclo compromete a formação e os resultados esperados com a experiência.

A pesquisa também mostra que, embora a maioria das empresas considere o trabalho presencial mais favorável ao aprendizado, os estudantes tendem a preferir formatos mais flexíveis. Entre os entrevistados, 83% concordam que estagiários presenciais têm maior chance de efetivação, mas 55% afirmam que, de modo geral, os jovens preferem modelos que dispensem o deslocamento diário.

Outro ponto sensível é o papel dos gestores diretos no acompanhamento do estagiário. Para 78% dos profissionais de RH, o desenvolvimento do estudante depende mais do gestor do que do formato de trabalho adotado pela empresa. Ao mesmo tempo, 63% concordam que muitos líderes não conseguem dedicar atenção suficiente ao acompanhamento dos estagiários, o que compromete sua performance. Já 85% defendem que gestores deveriam receber treinamento específico para exercer essa função.

Quando questionadas sobre o que mais atrai estudantes às vagas de estágio, as empresas apontam sobretudo fatores ligados a desenvolvimento e futuro profissional. Oportunidade de crescimento (27%) e possibilidade de efetivação (24%) lideram o ranking, seguidos por valor da bolsa (23%) e ambiente de trabalho (6%). Benefícios e flexibilidade aparecem com menor peso relativo, segundo os respondentes.

Em relação à estrutura dos programas, 68% das empresas contratam estagiários sob demanda, sem programas formais. Entre aquelas que mantêm iniciativas estruturadas, a maioria adota modelos generalistas, com ciclos de duração de até dois anos —padrão seguido por nove em cada dez organizações desse grupo.

O estudo também aponta crescimento do papel das empresas integradoras no processo. Para 40% dos entrevistados, o principal benefício dessas parcerias é o apoio ao desenvolvimento dos jovens, enquanto 29% destacam a agilidade nos processos e 10% a triagem de qualidade. Além disso, 93% concordam que essas organizações ajudam a assegurar o cumprimento das obrigações legais na contratação de estagiários, e 88% afirmam que elas elevam a qualidade das admissões.

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