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Há profissionais que trabalham muito, aprendem constantemente e acumulam experiências relevantes. Ainda assim, depois de alguns anos, percebem que estão no mesmo ponto estrutural.
Mudam de empresa, trocam de função, ajustam o currículo.
Mas a sensação é de repetição.
O problema raramente é falta de esforço. Muitas vezes, é um hábito invisível: escolher sempre dentro do mesmo padrão.
Trocar de ambiente não significa mudar de trajetória.
Alguns profissionais mudam de empresa, mas buscam exatamente o mesmo tipo de cultura. Aceitam cargos diferentes, mas com responsabilidades quase idênticas. Assumem novos projetos, mas dentro da mesma zona de conforto.
A narrativa é de movimento.
A estrutura continua igual.
E, quando a estrutura não muda, o crescimento real é limitado.
O comportamento é escolher oportunidades que parecem seguras porque são familiares. O impacto é estratégico: pouca ampliação de repertório e exposição a contextos similares. O resultado aparece em currículos extensos, mas com pouca evolução estrutural.
A experiência se acumula.
A diferenciação não cresce.
O profissional parece ocupado. A trajetória, circular.
Coerência é importante. Construir uma narrativa consistente fortalece reputação.
Mas coerência excessiva pode virar rigidez.
Quando todas as decisões seguem o mesmo padrão de conforto, a carreira perde capacidade de expansão.
E expansão exige, em algum momento, atravessar algo desconhecido.
O familiar transmite segurança. A pessoa já sabe operar naquele tipo de contexto. Já entende as regras implícitas.
Além disso, decisões semelhantes são mais fáceis de justificar para si e para os outros.
O risco é parecer menos preparado ao tentar algo diferente.
Mas permanecer apenas no conhecido reduz capacidade adaptativa.
É possível ter muitos anos de experiência repetindo variações da mesma experiência.
O mercado começa a perceber isso.
Cargos podem mudar. O nível de complexidade permanece estático.
E, em momentos de transição mais exigentes, essa limitação fica evidente.
Sair do círculo não significa abandonar tudo. Significa introduzir variáveis novas.
Pode ser:
• atuar em outro tipo de projeto
• assumir escopo diferente
• entrar em contexto com dinâmica distinta
• desenvolver habilidade que não faz parte do repertório atual
Esses movimentos ampliam estrutura.
E ampliam poder de escolha no futuro.
Um dos freios mais fortes é o receio de parecer iniciante novamente.
Mas crescimento quase sempre envolve atravessar momentos de menor domínio.
Evitar essa fase mantém estabilidade imediata. Limita evolução estrutural.
Estabilidade é manter base sólida enquanto evolui.
Repetição é manter base sólida sem expandir.
A linha entre as duas pode ser sutil.
Perguntas úteis ajudam:
• estou aprendendo algo realmente novo?
• esse movimento amplia meu repertório ou apenas reforça o que já sei?
• estou confortável demais há tempo demais?
Essas respostas revelam muito sobre o estágio real da carreira.
Carreiras não travam apenas por erro. Travar também pode ser consequência de escolhas sempre parecidas.
No fim, o hábito invisível que faz sua trajetória andar em círculos é escolher variações do mesmo caminho.
E crescer, em algum momento, exige sair do padrão que parece seguro — para construir algo que ainda não está completamente claro.
Porque movimento não é sinônimo de avanço.
Avanço exige mudança estrutural.
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| Atualizado em: 19/02/2026 12:10 | ||