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A Portaria Interministerial MPS/MF nº 13/2026 aumenta significativamente o peso das penalidades sobre documentos como o LTCAT e o PPP; especialistas alertam que o custo da negligência agora supera o do investimento em conformidade.
O início de 2026 trouxe um alerta rigoroso para o setor corporativo brasileiro. Com a publicação da Portaria Interministerial MPS/MF nº 13, no dia 12 de janeiro, os valores-base das multas previstas no Regulamento da Previdência Social sofreram um reajuste expressivo.
Embora a norma não tenha instituído novas obrigações legais, o endurecimento do impacto financeiro altera a percepção de risco nas organizações, elevando as penalidades relacionadas à Saúde e Segurança do Trabalho (SST) ao topo das preocupações das diretorias financeiras.
A atualização dos valores-base pode fazer com que penalidades isoladas cheguem à marca de quase R$ 350 mil. Esse novo patamar de cobrança transforma a conformidade documental em uma decisão estratégica de economia.
Na visão de especialistas do setor, o cenário anterior, em que algumas empresas postergavam obrigações por considerarem as multas irrelevantes, tornou-se insustentável. A percepção atual é de que o erro documental passa a ser tratado, na prática, como um erro previdenciário de alto custo, forçando a alta gestão a priorizar a qualidade técnica dos laudos.
O foco recai especialmente sobre o Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT) e o Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP). A desatualização desses registros deixa de ser vista como uma mera formalidade administrativa para ser encarada como um “estrago” financeiro capaz de comprometer orçamentos anuais, especialmente em setores industriais e de serviços com exposição a agentes nocivos.
O impacto do reajuste é amplificado pela tecnologia. Com a obrigatoriedade do PPP eletrônico integrado ao eSocial, as inconsistências tornaram-se mais detectáveis pelo Governo Federal. Além disso, o acesso facilitado do trabalhador aos seus dados via plataforma Meu INSS permite que erros e divergências sejam identificados rapidamente, o que pode desencadear fiscalizações automáticas ou ações judiciais de retificação.
Esse ambiente de transparência digital obriga as empresas a implementarem uma governança mais rígida sobre seus documentos críticos. Espera-se um aumento no volume de auditorias internas para verificar se as informações enviadas ao fisco coincidem com o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e se os laudos refletem a realidade do ambiente de trabalho em tempo real.
Para além das multas administrativas, a correta elaboração do LTCAT e do PPP funciona como uma blindagem jurídica para as empresas. Especialistas em direito do trabalho reiteram que essa documentação serve de prova fundamental tanto na esfera trabalhista quanto na previdenciária.
O cumprimento da legislação, portanto, deixa de ser apenas uma proteção contra autuações e passa a ser uma ferramenta de defesa institucional.
O novo cenário exige que os profissionais de SST atuem de forma mais estratégica, focando na gestão de risco corporativo e em evidências técnicas robustas. A recomendação imediata para as organizações é a revisão completa de seus arquivos e a criação de gatilhos automáticos para a atualização de laudos sempre que houver mudanças nos processos de trabalho, garantindo que a empresa não seja surpreendida por sanções que hoje atingem cifras históricas.
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